Sábado, 24 de Novembro de 2007

estrella n' Os Dias



El Arte un Encuentro necesario.


Un centenar de inquietudes se agolpaban en mí, miles de expectativas bullendo antes de cruzar el mar. El deseo de conocer, vivir y disfrutar todas las manifestaciones artísticas que se encontrarían esos días, colmaban la emoción del viaje. Fui gratamente sorprendida por la diversidad de las creaciones que tuve oportunidad de ver y por la cálida acogida, que tuvo mi poesía por mucho de los participantes al evento.
En estos días todos fuimos arropados, seducidos, incitados, imbuidos, atrapados y poseídos por el arte. Disfruté plenamente esta posesión que al mismo tiempo, me nutrieron e incitaron en mí nuevas ideas.
Me he traído todas las imágenes de los cortometrajes y las interpretaciones musicales portuguesas, que aún hoy día recuerdo y resuenan con cierta nostalgia, los performance de Nuria y Silvia, las fotografías en video, las canciones jocosas de los leoneses y la poesía que reinaba en aquellos espacios…disfruté muchísimo la poesía lamento no recordar los autores de las obra.
Una persona fue el responsable de todo esto, en el centro de este revuelo creativo la cálida persona de Alberto Miranda quien fue el artífice de conjugar la posibilidad de que todos nos diéramos cita en esos dos increíbles días de la creación. Tenía que ser un artista.
Aún hoy todas estas vivencias están impregnadas en mí, ”Siembro estos recuerdos como aliento del mañana”.


Estrella Gomes

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

deborah n' Os Dias

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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

luis n' Os Dias...



A ideia começou a germinar quando li a notícia no blogue Incomunidade.
Era demasiado aliciante. A cultura como pretexto para reencontrar os amigos. Desde logo, o Alberto Augusto Miranda, a “alma mater” do encontro, a par do Hermínio, garboso anfitrião na Casa da Eira.
O convívio começou nos Aliados, no Porto. Tive o prazer de conhecer pessoalmente o Paulo (da In Libris), o nosso condutor. Empatia muito rápida.
Primeira parte da viagem passada na conversa com Alexandre Teixeira Mendes, no banco de trás. O resto do “Bando dos Cinco” ia no banco da frente: Nuno Rebocho (por estas horas já em Cabo Verde), o ‘driver’ Paulo e Aurelino Costa.
A paragem na estação de serviço deu origem a uma alteração táctica. Alexandre Teixeira Mendes foi para o banco da frente, Aurelino Costa passou do primeiro banco para o terceiro banco. Fiquei só no segundo.
A seguir, o encantamento algo narcísico de ouvir o Aurelino a declamar os meus poemas do “De boas erecções está o Inferno cheio”. E a emoção de sentir a comunicação. Aprender mais sobre a nossa poesia, ouvindo outro a dizê-la. Saltitando entre a brejeirice obscena ou detendo-se nos poemas líricos.
Dormida em Boticas.
Sábado de manhã a chegada à Casa da Eira, para o encontro. O intercâmbio entre as línguas: português, castelhano, galego. Sem esquecer o Amadeu Ferreira e a expressão muito própria do mirandês.
Um prazer enorme ouvir a sua comunicação. Dar e receber livros. Amadeu reconheceu-me de um encontro da Guilherme Cossoul, em Lisboa. Fiquei a saber que o “Astérix, o gaulês” tinha esgotado na sessão de lançamento, na versão mirandesa.
Outro enorme prazer: ouvir o Amílcar a dizer Mário-Henrique Leiria e os seus “Contos do Gin Tónico”. Apresentou-me a um amigo, belo declamador: Fernando Soares.
Toma lá com mais uma dose de “Erecções”, já que há interesse nas ditas.
Tantos prazeres: as máscaras/esculturas do Gerardo, as fotos pelas paredes, no meio das árvores de fruto, os livros à solta, as palavras a amarinhar pelas montanhas transmontanas. Os dias luminosos, as noites frescas. Os cães a ladrar, muito ao longe.
No auditório de Boticas houve de tudo na noite de sábado, no campo artístico, aliando a música à palavra, à imagem e à performance. E um leonês de uma figa, agarrado à viola e à harmónica, num Woodstock transmontano, levando tudo atrás dele, como um furacão de boa disposição.
Domingo de manhã, já nas despedidas, a descoberta de uma curta-metragem maravilhosa, sobre uma espécie de borboleta em risco de extinção: a maculinha.
A descoberta do autor de um maravilhoso livro sobre as borboletas: Ernestino Maravalhas, protagonista principal do filme. A descoberta de um nome: Adenilo, a sua mulher. Que por sua vez descobriu um escritor: António Manuel Venda, ao ler o seu prefácio ao meu “A mulher que fazia recados às putas e mais contos perversos”.

luís graça

intervenção de antonio cabral n' Os Dias

mônica e antonio

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Seguem fotos do António. Só o conheci durante este momento n'Os Dias...
Lembro que ele disse conhecer-te desde miúdo...
Lembro também de um poema que fez sobre a merda...o que arrancou bons sorrisos durante a sua apresentação.
É uma pena que tenha ido...mas com certeza k deixou saudades,
fica aqui então a minha homenagem ao poeta, com muito carinho...

bjus

mônica delicato

Domingo, 28 de Outubro de 2007

nelson silva com antonio cabral

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Conheci o António Cabral em Boticas durante Os Dias da Criação, onde me surpreendeu pela sua enorme capacidade de comunicação através de um tema aparentemente tão simples como os jogos populares. Apesar de não poder mostrar as imagens que trazia, pela falta de um retroprojector ou de um projector de slides (a tecnologia impunha que fosse um computador ou um DVD a fonte de imagens a projectar) conseguiu transportar quem o ouvia para um descontraído passeio pelos jogos tradicionais e a sua função social. Ao almoço tive a oportunidade de conhecer um pouco mais dele e à tarde sentado à minha frente ainda tive oportunidade de o voltar a escutar na intervenção que fez.
Esta semana fui surpreendido pela notícia da sua morte ao ler O Privilégio dos Caminhos e com confirmação na Incomunidade.
O pouco que pude conhecer dele, mostrou-me uma pessoa muito interessante e cheio de saber. Quem com ele privou como a Júlia ou o Alberto deixaram bem presente a saudade que a sua partida deixou.
Aqui fica a minha pequena homenagem, através de uma das fotografia que tive a oportunidade de tirar em Boticas.
nelson silva

Sábado, 27 de Outubro de 2007

concha rousia com antónio cabral


Morreu o António. Estas duas palavras abondavam para comunicar uma notícia nas comunidades quando o mundo estava desenhado à medida das pessoas; como muito se alguém duvidava, por não ter certeza de qual António de todos os Antónios tinha que ser o falecido, perguntava: “Qual, o do Penedo?” “Pois é claro mulher, qual ia ser...?!”

Mas desde que os seres humanos conseguiram construir lugares para morar com uma imensidão de gente mas ao mesmo tempo viver no anonimato, um pode chamar-se António, ou Luis, ou Rosalinda, ou Jennifer, ou Petrónio... e morar a escassos metros de dúzias de pessoas, mesmo dividindo prédio ou andar, até, e pode morrer e seguir anónimo enquanto o cheiro da morte não o delate; depois vem a policia com suas perguntas... alguns dirão qualquer cousa do aspecto da pessoa, muitos, a mor parte deles, não será capaz de lembrar como se chamava esse anónimo.

Neste mundo, neste novo mundo, que mata a gente antes de ela ter morrido realmente, resulta cada vez mais difícil dizer o nome de alguém e que todos saibam quem é... Bom, António Cabral, o maior cantor do Douro, como se tem dito, morreu, e hoje em Vila Real todo o mundo sabe quem ele é, como o sabem no Porto, e em Braga, e em Lisboa, e em Compostela, e em Guimarães, e em Trás-os-Montes, e em Corcubiom... Porque ele, defensor da comunidade, conseguiu transpassar esse espirito para diante mesmo da sua própria existência.

Conheci a esse homem há apenas dous meses em Vilar-Boticas, nos Dias da Criação; ele abriu aqueles encontros, homem decidido; não se puderam ver as imagens que ele trazia para o laptop nem suas folhas transparentes, e ele lamentou não as poder mostrar; e eu lamentei também não as ter visto, porque a julgar polas palavras dele as imagens tinham que ser de um grandíssimo valor. Falou, eu nem me importei de parecer uma escolar; tirei uma folha e um lápis e anotei aquelas palavras, que embora eu as sabia, não as queria esquecer mais:

“Só há cultura se há comunidade, isso nós da consciência de identidade, e por tanto a comunidade deve ser preservada custe o que custar”

Falou do jogo tradicional, de como surge, de sua funcão, seu tom era distendido, agradável, próximo, carinhoso... Falou do seu prazer em visitar a Galiza, onde os jogos tradicionais estão bem valorizados, de seus amigos cá, de brincar com as crianças, de ser criança... de Ser. Logo das conferencias o acaso fez com que ele e Alzira, sua companheira, junto com o Nelson, a Clara do Porto e eu estivéssemos sentados à mesma mesa num almoço com carne barrosã; concordamos com que aquela é a melhor carne do mundo, e o vinho do Douro... e o recital na tarde, e a importância dos convívios, e de colaborar nesta luta contra a morte das culturas numa Europa preocupada quase só pola economia; intercambiamos e-mails... E eu alegro-me, alegro-me imenso de poder abraçar esta tristeza que hoje se abateu sobre mim quando a Clara do Porto me contactou e me disse: morreu o António.

Concha Rousia
Compostela, 26, outubro, 2007

amadeu ferreira mirandesa antónio cabral

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Na Casa da Eira Longa, 22 Setembro 2007, António Cabral e Amadeu Ferreira


Morriu-se l poeta António Cabral. Fui un choque cula grandura de l Douro, riu de que el fui, até agora, l mais grande poeta. La redadeira cumbersa que tubimos fui subre las mies traduçones de poemas sous para mirandés, de que le mandei un de que gusto muito inda l passado die 1 de Outubre.
Cumo houmenaige bou ne ls próssimos dies a publicar eiqui ua pequeinha antologie de poemas sous traduzidos para mirandés. I ampeço cun aquel que le mandei inda l die 1 deste més.
La nota que a seguir se deixa i l poema traduzido fui publicado pula 1ª beç an www.sendim.net, an Abril de 2006, nua Antologie de l Douro, de que António Cabral fui, até agora, l mais grande poeta, muito arriba de outros mais celebrados do que el, cumo Miguel Torga. A seguir a esta traduçon eiqui cuntinarei a publicar ua pequeinha antologie de l poeta, an mirandés, cumo houmenaige, el que tanto gustou de l sonido de las traduçones para mirandés, de poemas sous que le amostrei.


António Cabral, naciu an Castedo de l Douro, cunceilho de Alijó, an 1931. Coinci-lo an Bila Rial, adonde fui porsor i siempre andubo liado a las cousas de la cultura, grande animador i dibulgador de ls jogos populares stramuntanos, subre que screbiu bários lhibros i ourganizou bários ancuontros.

Quando penso an poetas de l Douro ben-me siempre l’eimaige de António Cabral. Al ler ls sous poemas bei-se que l Douro le cuorre nas benas. L Douro de que el fala sabe-me a miu, solo que el le agarra l’auga un cacho mais abaixo. Se assi nun fura, habie de poner alhá l Cachon de l Çaramal an beç de l Cachon de la Baleira que la muorte de l Baron de Forrester fizo afamado.

Poderie anchir eiqui fuolhas culs sous poemas pesados de Douro, riu i tierra. Si, que nun hai riu sien tierra i sien giente que le suda l’auga, esse «dius çcoincido» que fizo todo esse paraíso puosto ne l altar de ls paredones sin fin. L poema que eiqui deixo fala de todo esso. Ten la fuorça de l «eiqui», que ye la boç de quien nun bózia de loinje mas stá bien andrento, arrebentando cumo ls cachones que las presas ponírun a drumir, silenço anfenito sien palabras capazes de lo dezir.


Eiqui Douro

Eiqui, Douro. L Paraíso de l bino i de l sudor.
Dun riu ne l berano oussudo i afilado
cumo la giente,
quando l’alma s’arrama pulas frinchas de la piel;
riu tamien barrento, la quelor de la tierra,
pa que l’alma seia anteira;
riu de las grandes mundiadas, de l abraço final
de tuoros de homes, de arbles i de suonhos;
dun riu agora moço: l’auga tarda
l sou speilho nas presas, i ls barcos
chenos de uolhos retrátan la stória
dun dius çcoincido.

Paraíso de cabeços anriba de cabeços,
rudos mas guapos,
cabeços que s’agigántan, ombros bibos
de las airaçadas i de l sol,
i cabeços que se dróban i zdróban cumo ls strondos
scabando faias i cachones.
Á Cachon de la Baleira, foia de fuogos!

Paraíso de ls patacones i fruitales:
l’auga ye menos slúbia
pa que ls homes ampórquen bien las manos
d’anqueixonar nun suonho meia dúzia de laranjas,
anquanto ls mielros tínhen a carbon
sue risada galhofeira i libre.

Paraíso de ls nuobe meses d’eimbierno
i trés d’einfierno:
Outubre a Júnio, ye la nubrina, semessuga
que muorde até als uossos i a las palabras;
Júlio a Setembre, ye l sol an faca
que fire ls uolhos até al pensamiento.

Paraíso de sudor,
de ls homes de camisas ancardidas,
la tierra a queimar ls beiços
i a trocé-le la fala an rábias houmaníssimas,
scabando, neilhes scabando l zaspero
i l amor tamien
(la nuite i l lhunar)
porque a la fin de todo
la tierra ye frol i cuorpo de mulhier.

Paraíso de l’ougarielha fuorte de las binhas
que éntran an óndias berdes puls uolhos.
Binhas que stan na bida desta giente
cumo bózio ne ls beiços,
cumo frol ne l deseio,
cumo l mirar ne ls uolhos,
binhas, sei alhá, que son la própia bida desta giente.

Paraíso dourado de las bendímias!
Ende l Douro ye d’ouro.
Ouro ne l sol que buolbe todo an chamarielhas:
las ubas i las nubres de polareda
spantadas pulas patas de ls cabalhos
i de ls camenhones, ron ron, costielha arriba.
Ouro na sinagoga de las mulhieres
que bendímian las ubas i las eideias;
un cierto ouro ne l silenço de ls homes
que an carreira i fierro lieban ls cestos.
Ouro inda na benida de l trabalho,
al sonido dun bombo, dun harmónico.
Ouro ne ls cestos, ne ls lagares, nas cubas,
ouro, ouro, sudado de sangre, ouro!
Ouro talbeç nas copas de quien
bieno de loinje assomar-se de la jinela.
Á Paraíso dourado de las bendímias,
de l bino caliente, bino-giente, que relumbra,
que ye sudor i sangre i sol angarrafado!

Paraíso tamien de las romaries;
De la Senhora de la Piadade, de l Biso i de ls Remédios:
giente de gatas cumo animales
porque la Senhora anterbieno
i delantre de l cielo
somos ua cousa qualquiera por acabar.
Hai un home que lieba ua facada,
mais hai tamien pormessas de cera,
streilhas a salir ne ls uolhos.

Paraíso de las sietes armitas!
- l cielo pingando a la punta de riba ls cabeços.
De castros yá sbarrulho
- l aire de l antigamente apegando-se al rostro.
De las minas que debássan l abismo
- fui a la boca dua an nino
i arreculei cumo se houbira bido
todos ls dientes de la bicha de siete cabeças.

Paraíso de ls caminos d’arressaios
- yá que Dius scribe dreito por linhas tuortas.
De ls spritos de la nuite
- naide s’assome a la jinela quando pássan.
De las mouras ancantadas
- l dixo mie bó: hai ua
que se chama Marie
i ye galana, galana cumo las manhanas de Júnio.

Paraíso
de las faias ancuncebibles,
de las rogas i de ls silenços,
de l grandioso silenço de las muntanhas!

Paraíso! Paraíso!
Á cantiga de piedra a la sprança!

Traduzido an 23 de Abril de 2006
Amadeu Ferreira

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

antonio cabral n' Os Dias

O Douro, muito bem acompanhado, subiu às terras frescas de Barroso

Mais de uma centena de pessoas, ávidas de reflexão e de trabalho relacionado com a criatividade artística, acorreu nos dias 22 e 23 de Setembro a Casa da Eira Longa, um dos mais aprazíveis espaços de turismo rural de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vilar – Boticas. A criação, conforme programa, compreendia as áreas seguintes: “pensamento, curtas-metragens, poesia, dança, fotografia, performance, teatro, música, escultura, pintura, instalação, gravura”.
Os apoios foram das Câmaras Municipais de Boticas e Chaves, da Casa de Vilar “A Lavra”, da Albergaria Rio Beça e do Matadouro do Alto Tâmega e Barroso que, bem oportunamente, ofereceu uma saborosíssima vitela.
Participei a convite da generosa e perspicaz organização que foi de Alberto Augusto Miranda e Hermínio Chaves e regressei entusiasmado com o acontecimento. Estiveram presentes, além de portugueses e leoneses (o encontro era dedicado às artes de Trás-os-Montes e León), pessoas vindas da Galiza, Cuba e Venezuela, o que, dada a animação deste ano, faz prever para o próximo uma ainda maior festa da criação artística. Impressionaram-me especialmente, para além dos contactos sorridentes entre participantes e assistentes (sendo as sessões sempre abertas à participação), as exposições de diversas artes, o encontro com o público de escritores e ensaístas devotados à nossa região, o teatro ao ar livre e a hora de poesia que se iniciou com a apresentação de “Tenho alguma coisa de árvore”, uma antologia de poetas leoneses com selecção de Sílvia Zayas e tradução de Alberto Augusto Miranda. Foi nesta hora de poesia que eu incluí poemas durienses, tendo de manhã falado de jogos populares: e, se dou este esclarecimento, é apenas para justificar a inclusão deste texto aqui, na minha coluna de há anos.
Às 21,30h.do dia 22, realizou-se no Auditório de Boticas um espectáculo de “música, performances e teatro com grande assistência e admirável colaboração, havendo no dia 23 uma mostra de trabalhos audiovisuais feitos in loco e ainda uma sessão de poesia jovem latino-americana. Muita comunicação e empenhamento, novas amizades e promessas radiantes. Penso que no próximo ano a Casa da Eira Longa, mau grado as suas apetecíveis e amplas instalações, vai ser procurada por ainda mais escritores, artistas e animadores socioculturais.
É efectivamente necessário que a criação artística aponte no sentido do processo histórico, em fase de tropelias culturais e sociais, e lhe demonstre que sem a sensibilidade imaginativa, sem a convergência do ser autêntico e do fazer correspondente, não há mercados comuns e neo-liberalismos que salvem a humanidade. Como na Eira Longa tornam-se urgentes espaços imaginativos, por vezes provocatórios, mas também com a provocação a ser provocada, mais espaços destes em muitos quadrantes, esconjurando vaidades umbilicais que têm afunilado e isolado muitos valores humanos, enroupando-os artificialmente.
Remato esta breve nota com a publicação dum belo texto poético de José Luís Puerto que figura na antologia atrás referida:

Recolhimento

Desocupou a sua casa
De todo o acessório, do inútil,
Para compreender os seus limites.
E sentiu a partir de dentro
Vazio o interior.
Procurava desvelar
O oculto na sua morada,
Sentir a transparência do lugar,
Chegar até à entranha

Secreta, à matriz,
Até aos fluxos onde a semente
Gera os corais da vida.

Desocupou a sua casa.
O ar fez-se ali respiração.
Fez-se lugar, morada
Para o recolhimento.


António Cabral (in Noticias do Douro)

Sábado, 20 de Outubro de 2007

os Dias de Raquel...

INCOMUNIDADE
“Los días de la Creación”
22 y 23 de septiembre.

En medio de una belleza rural, tiene lugar una experiencia sin duda rica e inolvidable, la Creación en pleno convocó a más de 50 artistas y poetas muchos de ellos jóvenes, dos días plenos de euforia, expectativas y entusiasmo; la cercanía y la camaradería marcó los días 22 y 23 de septiembre.
Dos días donde todas las expresiones artísticas se adueñaron de los espacios de Eira Longa, intensas jornadas donde el arte recreó nuestros sentidos.
Todos atendidos por la mágica presencia del artista y poeta Alberto Augusto Miranda, quien además hizo posible esos días de magia. Pudimos disfrutar de la poesía portuguesa, de excelentes corto metrajes, y de una espléndida noche de música, teatro, performance y video en el auditórium de Vilar Boticas.
En estos días prevaleció las ganas de compartir y conocer, todos mostrando aquello que con tanto esmero y entrega habían creado para ser mostrado a un grupo de personas que como ellos, estaban ávidos de dar y recibir.
Muchas de las creaciones tenían una conexión temática: la soledad y la incomunicación, esto se reflejó en los trabajos de los cortometrajes de los jóvenes portugueses, la fotografía de una joven leonesa y el perfomance donde estaban presentes Nuria Antón y Silvia Zayas.
Por otra parte, pudimos disfrutar de una excelente ejecución al piano de Alberto Augusto Miranda, y de unas magníficas interpretaciones de canto en voces de habla hispana y portuguesa, sublimes interpretaciones que inundaron de delicia el alma de los presentes.
No queríamos que terminara la noche. No queríamos que concluyera estos fascinantes días de creación. Pocas veces se tiene la oportunidad de ver la conjugación de todas las artes en un mismo espacio, alguien dijo alguna vez, que el arte es el alimento del espíritu y esto era un festín donde sin lugar a dudas, nuestros espíritus se regocijaban. Dos días inolvidables de arte. Doy gracias por haber tenido la oportunidad de disfrutarlo. Me queda un sabor en la piel y un deseo de volver a repetir la experiencia.

Raquel Molina (Caracas, Venezuela)

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

natalia n' Os Dias

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natalia gonzalez devesa

Sábado, 29 de Setembro de 2007

henrique n' Os Dias


Jose Henrique Varela

Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

O Amor n' Os Dias..

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deborah nofret

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

pai, afasta de mim essa televisão, afasta de mim esse jornal, de vinho tinto, de sangue



elizabeth pires monteiro

catarina miranda n' Os Dias

guigui n' Os Dias

Hospede inúmeras fotos no slide.com GRÁTIS!

agostinho chaves n' Os Dias

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grupo Ravar

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Los días 22 y 23 de septiembre Ravar ha asistido a estas jornadas. (Nuestro agradecimiento a todos los amigos asistentes y especialmente a sus organizadores que han realizado una labor perfecta).
Ha quedado presentada/expuesta la primera fase del proyecto "Bicho" consistente en un grabado compuesto de ocho partes que representa un ser human@ susceptible de distintas combinaciones según la exposición, o incluso que el propio expectador desee componer.

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Combater desertificação através da cultura



Com pouco mais de cem moradores, a aldeia de Vilar, em Boticas, é como a maioria das pequenas localidades transmontanas tem muitos cães e galinhas a vaguear pela rua, muitos idosos, poucos jovens e menos crianças ainda. Mas, ontem, em Vilar não era assim. No pequeno centro da aldeia, cantos e ruas estavam apinhados de carros. \"Nunca assim vi tanto carro! Só em dias de casamentos grandes!\". A \"invasão\" é, no entanto, bem-vinda. \"Nós o que queremos é ver muita gente, para poucos já chegámos nós\", garantia a moradora Maria Marques, de 71 anos. Ontem e hoje, a aldeia de Vilar é palco, pela segunda vez consecutiva, de \"Os dias da criação\", uma iniciativa do movimento artístico Incomunidade e da casa de turismo rural local \"Casa de Eira Longa\".O objectivo do evento é ambicioso combater a desertificação da região, através da cultura. \"É preciso criar empregos, mas é também preciso criar dinâmicas culturais capazes de fixar população. A paisagem só não chega. Ao fim de três dias as pessoas já não sabem o que fazer\", defende Alberto Miranda, promotor da iniciativa que tem, nesta edição, uma matriz transmontano-leonesa.No entanto, nos cerca de 160 artistas das mais variadas áreas, estão presentes criadores de outros pontos de Portugal e até da Venezuela e de Cuba. Ontem, além da inauguração de uma exposição de artistas visuais de Léon (Espanha) e Trás-os-Montes, durante a tarde, foram apresentadas, pela primeira vez, cinco curtas-metragens de autores lusos e espanhóis. Entre as estreias está a do conhecido cineasta português Pedro Sena Nunes. O lançamento de uma colectânea de poemas em português e castelhano foi outras das iniciativas.Hoje, logo pela manhã, serão apresentados 14 documentários realizados por estudantes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que, em Março, andaram de câmara em punho pelo Barroso. \"Os actores são gente daqui e de outras aldeias. Quisemos envolver a comunidade quanto mais não seja para que ela não morra ao nível da imagem\", resumiu Alberto Miranda, há 30 anos em Lisboa, mas de origem transmontana. Amanhã, Vilar regressará à pacatez de sempre.

Margarida Luzio in JN, 2007-09-24

Os Dias da Criação


Confesso que não esperava passar um fim-de-semana tão agradável.Quando cheguei pensei que deveria tomar um café em Boticas para fazer algum tempo e não ser o primeiro a chegar. Enganei-me redondamente. Afinal, chegado à aldeia de Vilar, já não consegui deixar o automóvel próximo. A aldeia tinha sido invadida. A primeira impressão encontrou-se logo na povoação. Era uma aldeia ainda viva. Havia movimento, sentiam-se os cheiros e aromas, as galinhas cantavam nas capoeiras, as vacas passavam e deixavam aquele cheiro de que eu já me não recordava de há muito. A água corria nas fontes e as pessoas davam os bons dias. As moscas andavam por todo o lado, esta era a melhor prova de que havia vida.Mas afinal de onde teria vindo a ideia de associar ali, aquele magote de pessoas! Um pequeno grupo de carolas com gostos e interesses próximos e condições suficientes, acreditou que seria possível ajuntar mais e pô-los a confrontar-se. À reflexão acrescentaram a pertinência de alargar os convites além fronteiras.E foi assim que, inesperadamente encontrei gente boa a mostrar o que faziam e curiosos de saber e conhecer o que faziam os outros, na escrita, no cinema, na arte e na música.Das declamações da poetisa de 17 anos da Venezuela, passando pelos “performers” e artistas de Leon, pelos criadores de vídeo portugueses, pelo cientista que investiga borboletas em extinção na área, pelos improvisadores e eruditos da musica, pelos actores de mímica, pelos artistas plásticos da região, de tudo houve um pouco, quase sempre superior.Em suma foi para mim uma experiência tão concentrada e rica de saber. que não a esquecerei tão cedo. Tornei-me um privilegiado por um fim-de-semana.Faltará dizer que nem se sentiu a falta daquela que se tinha proposta para "Madrinha do Evento” que era a representante do Ministério da Cultura em Vila Real. Foi menos uma a beber daquele vinho e a comer a vitela barrosã que o Matadouro da região ofereceu de patrocínio.No cômputo final fica-me a sensação amarga de reconhecer que são eventos singulares e frutuosos mas que poderiam ser experiências assimiláveis e passíveis de se repetir noutros lugares, quiçá aqui. Bastaria para tanto que as vontades se conjugassem.

Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

nelson silva n' Os Dias

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fernando martinho guimarães sobe os galhos de Tenho Qualquer Coisa de Árvore

A experiência da poesia e os poetas de Léon

Tenho Qualquer Coisa De Árvore é uma selecta de poetas de Léon. Quer dizer: de uma série de autores, selecciona alguns deles e recolhe algumas das suas criações. Éditos e inéditos.
A tarefa de apresentar esta selecta levantou-me algumas dificuldades. Desde logo, a questão da língua. Mas como é uma edição bilingue, o problema não chegou verdadeiramente a sê-lo. Como é sabido, quando uma língua que não é a nossa julgamos ler e compreender, acontece que as suas subtilezas nos escapem com mais facilidade do que quando dela nos acercamos com o cuidado próprio de quem está em território que não é o seu. Pior do que isso, só o engano e o erro que resultam da familiaridade com que convivemos com a nossa. Mas sendo a tradução de Alberto Augusto Miranda, e conhecendo a exigência e rigor que ele põe nestas coisas da literatura, fica-se-me o espírito sossegado.
Dos poetas da selecta – tirando os que contam já com a projecção do nome e a multiplicação de referências – o mesmo cuidado se impõe a quem deles não se quer ficar apenas pela leitura, tomando como certa a complacência generosa de quem me ouve ou lê. Também aqui, a tarefa é-nos facilitada pelas notas bio-bliográficas que a organizadora da selecta, Silvia Zayas, achou por bem colocar sobre cada um dos autores.
Quanto ao que nas notas bio-bibliográficas não está – e nunca poderia estar –, encontrá-lo-emos nos poemas que são, em boa verdade, a única coisa realmente importante a saber acerca dos poetas. É claro que a obrigação de falar sobre um livro, um autor ou, como é o caso, sobre uma selecta de autores, obriga a investigação sobre os poetas e suas obras.
Ainda para mais, como é o caso, quando alguns dos poetas conhecia apenas do prazer que dava a leitura deles. Mas também nada há de extraordinário nisto, já que se da leitura dos poemas de Tenho Qualquer Coisa de Árvore resultar prazer e gosto, a mais o leitor não é obrigado e dão-se os poemas por realizados e os poetas por consagrados.
Outro assunto que costuma provocar polémica, no que respeita às antologias e selectas, é a questão de se saber se os autores nelas inseridos são representativos de uma época ou de uma corrente artístico-literária. A dificuldade aumenta, quando se cuida de averiguar se os poemas presentes recolhem o que de melhor os poetas fizeram. As agruras que aos organizadores de antologias e selectas advêm das sensibilidades feridas de autores que, por não constarem, se acham injustiçados, ou daqueles que constando dão por menos bem achados os poemas que os representam, merecem um capítulo à parte em qualquer história periodológica da Literatura e dos favores e desfavores que a actividade editorial reserva a uns e a outros. O caso é de tal modo melindroso, que se perdoará aos organizadores de tão temerária tarefa, se nas apresentações públicas das obras ficarem perto da porta de saída, para, conforme o desenrolar do evento, decidirem ou não escapulir-se.
São treze os poetas recolhidos nesta selecta. Seis deles nasceram na década de 50: Aldo Sanz (1950), Miguel Suárez (1951), Ildefonso Rodríguez (1952), José Puerto (1953), Juan Carlos Mestre e Tomás Sanchez Santiago (1957). Victor Díez e Eloisa Otero na década de sessenta, 1962 esta, 1968 aquele. Da década de 70 temos Rubén Mielgo (1977) e a organizadora da selecta, Silvia Zayas (1978). Antonio Gamoneda nasceu na década de 30, em 1934. Nos extremos etários temos Gaspar Gómez, de 1927, e Jorge Pascual, de 1981. Temos, portanto, nesta selecta, que a maior parte dos seus autores viveram o franquismo, enquanto que três deles conhecem apenas o modo de vida democrático. Por seu lado, Gaspar Gómez e António Gamoneda são os únicos poetas que têm memória de um dos momentos mais trágicos da história de Espanha: a Guerra Civil.
Recolher é acolher. A dispersão é aqui o ponto de partida. Começo que, pela actividade mesma do recolher, se procura de algum modo superar pela compreensão do que é comum, do que junta, do que agrega. Recolher, acolher, colher. O acolhimento que está em questão é o recolhimento de vozes poéticas que partilham entre si a pertença a um território, simultaneamente real e ficcional. Não é que esta selecta tenha um objecto ou um tema. Nem assunto comum se poderá nela encontrar. Se o incomum for a pedra de toque da dispersão, Tenho Qualquer Coisa De Árvore cumpre a incomunidade de que Alberto Augusto Miranda é o rosto mais conhecido. É certo que o livro nos indica que se trata de uma selecta de poetas de Léon. De ou em Léon. O lugar do qual os poetas se diz que são, ou estão, seria o elemento unificador, ajuntativo. No entanto, Léon não se confunde, nos poetas e poemas que estão dentro, com um qualquer espaço com fronteira fixa, delimitadora. Não é que o estritamente geográfico, o local ou a sua circunscrição poético-ficcional tenha em si algo de mal ou suscitador de menosprezo. A sentença segundo a qual quanto mais regional mais universal contém em si a evidência de uma verdade que se impõe por si mesma. O (con)fim revela-se muitas vezes como sem-fim.
Por maioria de razão, tratando-se de poetas. De Léon, é verdade, mas – e a leitura dos poemas mostra isso à saciedade –, que nada têm a ver com um qualquer regionalismo redutor. A haver território, no qual os poetas de Tenho Qualquer Coisa De Árvore se movimentam, é o da linguagem. E é no interior desta que poderemos encontrar critério justificativo para a selecção feita por Silvia Zayas.
A imaginação, enquanto faculdade de fabricar imagens, dá a ver novos mundos, novas possibilidades. A linguagem, a linguagem poética, apresenta-se, para usarmos a poesia de Juan Carlos Mestre como exemplo, como a impossível casa em que o visível e o invisível, o conhecido e o desconhecido, o diverso e a unidade, confluem, para, pela imaginação, se subsumirem num anseio de pureza. A palavra poética, o que por ela é nomeado e também o que nela está destinado à errância do sentido, assume por inteiro o que nunca deixou de ser uma das suas marcas: a emoção e a sensibilidade.
Aquém e além do que diz, condenada a estar sempre em atraso em relação à realidade, à palavra exige-se a impossibilidade de relatar a vida e a morte. Cientes do fracasso que inevitavelmente sucederia a tamanha pretensão, os poetas de Tenho Qualquer Coisa De Árvore convivem bem com a inactualidade da palavra poética. Tomando de empréstimo a epígrafe atribuída ao poeta norte-americano Robert Duncan – que cobre o livro de Aldo Sanz, Nada na Boca, de 2004 – «um poema é um acontecimento, não o registo de um acontecimento», resulta claro que nestes poetas leoneses a criação poética recentra-se na linguagem ela-mesma. Também para José Luis Puerto, a inactualidade e com isso a resistência à tirania do acontecimento – aliadas a uma obsessão pelo tempo e pela memória – definem a natureza do trabalho poético. A poesia é aqui a manifestação da palavra fundadora, originária.
Se calha outras dimensões dela se acercarem ou de com ela estabelecerem tráfico, é por um excesso de inocência. Nisto a poesia tem-se dado frequentemente mal. Abeirar-se do redemoinho social, ou da vertiginosa tentação do confessionalismo psicológico, implica, a mais das vezes, o seu esgotamento. Recolher-se à linguagem e às suas virtualidades criativas é o horizonte no qual estes poetas constroem o domicílio do seu fazer poético. Como gosta de dizer Tomás Sanchez Santiago, apenas a si mesma a linguagem deve obediência. A irremediável subjectividade da poesia, que Gamoneda muitas vezes refere, não transporta necessariamente consigo a exibição de particularismos que se querem mais ou menos excêntricos da «vida psicológica» ou das circunstâncias sociais ou pessoais em que nos envolvemos ou que nos envolvem.
Expor-se, pelo e no poema, nunca será mais do que expressão da nefasta tentação de impor-se. Realismo às avessas, Gamoneda detectaria aí um reaccionarismo, quer ele seja psicológico, quer seja social. Por isso, o poeta de Cecília e outros Poemas aprecia convocar o oximoro de S. João da Cruz, «não saber sabendo».
A indefinição está na própria origem do poema. Não definia Paul Valéry o poema como uma hesitação entre o som e o sentido? Mesmo quando a poesia se dedica a abolir o que nela é canto, trata-se ainda de canto abolido.
Inesperadamente, ou nem tanto, o verso surge da musicalidade que as palavras buscam ao encadear-se. O sentido, arredio mesmo de quem dele se faz seu oficiante, desdobra-se e desmultiplica-se pela indefinição que pertence à própria natureza das palavras. Quer falemos do verso que abre «A Descrição da Mentira», de António Gamoneda («O óxido pousou sobre a minha língua como o sabor de um desaparecimento»), quer falemos das 40 «Posições» que Silvia Zayas coreograficamente expõe, ou ainda do paralelismo no «Cavalo Morto», de Juan Carlos Mestre, o poema faz-se pelo encantamento que produz
Conscientes da poética, avisados da saturação a que a linguagem está sujeita num mundo globalmente mediatizado, cientes da irreprimível tendência para a de-limitação em correntes, escolas ou grupos, os poetas desta selecta revelam uma aberta resistência à confinação poético- literária.
Por outro lado, a língua poética tem uma história, uma tradição. A linguagem, melhor, o que nela e por ela acontece, é, em grande medida, a circunstância em que o poeta vive e da qual o poema emerge. A famosa asserção de Ortega Y Gasset, segundo a qual somos o que somos mais a nossa circunstância, exige que nesta não se veja apenas a factualidade da existência, a sua dimensão estritamente material, mas também a sua dimensão simbólica. As afinidades, electivas ou não, constituem-se, deste modo, como um mapa que permite rastrear os percursos que o fazer poético vai construindo. É assim que a bem conhecida desafecção de Gamoneda pela poesia social e o seu distanciamento crítico face à chamada «Geração de 50», ou o assumido compromisso que a poesia de Ildefonso Rodríguez estabelece com a música e com um certo imaginário surrealista, permitem-nos dizer – acreditando que os outros poetas da selecta não desprezariam esta sentença – que estes poetas leoneses se decidem resolutivamente por uma abordagem pessoal e individualizada da criação poética.
O qualquer coisa que está no título da selecta, aquilo que não se diz a propósito da árvore é, precisamente, a linguagem poética. Se na árvore temos que ver a figuração de uma profundidade que se lança para o alto, também nestes poetas a língua poética irradia a intensidez da riquíssima tradição poética espanhola.
Com mais ou menos pendor metafórico, com maior ou menor intensidade imagética, mais sensíveis uns ao inesperado do jogo vocabular, e mais dados à indagação filosófica outros, os poetas de Tenho Qualquer Coisa de Árvore parecem assumir a seriedade criativa traduzida num verso de Gaspar Moisés Gómez, segundo o qual «não vale a pena sobreviver a um poema desastroso».
Contrair, no verso limpo, a sensibilidade e o entendimento, a emoção e a inteligência; extrair, das infinitas possibilidades que a linguagem encerra, a palavra justa, é o ofício a que o poeta está condenado. Nesta tarefa coloca todas as suas energias. Abstrair-se desta possessão resulta, a mais das vezes, numa distraição. Tudo indica que, nos poetas de Tenho Qualquer Coisa De Árvore, a uma poesia da experiência, o trabalho da e na linguagem se configura como uma experiência da poesia. O essencial reivindica assim o seu lugar. Por isso é que manifestações como as d’ Os Dias Da Criação são cada vez mais felizes epifanias, que só a arte parece ainda ser capaz de convocar.

Fernando Martinho Guimarães
Ponta Delgada
Setembro de 2007

Cainha n' Os Dias

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

mônica delicato n'Os Dias...

Sem Umbigo


Nós, sim, somos exuberantes, tivemos raiz e está identificada, controlada e protegida. Nós temos umbigo, sim, sempre connosco, e muitas vezes nem nos lembramos de que sobrevivemos em volta desse ponto inicial, que veio doutro ponto. Nalguns, o umbigo é uma espiral que leva à vertigem; noutros, é um sinal de origem nebulosa que vale a pena esquecer, ou lembrar, mas sem lhe dar o estatuto de buraco-quase-negro onde a vida é não se sabe o quê. O umbigo é, também, outras coisas, miudinhas umas; outras de aparato. Não damos descanso ao umbigo. Algumas vezes fica um cotãozinho, uma lanugem breve que logo deitamos fora se a descobrimos. O cotão era uma cota grande que os antigos cavaleiros medievos usavam por imperativo dos golpes de batalha. As argolinhas de metal entrelaçadas faziam a malha protectora e era mais ou menos a sorte dos guerreiros. Também eles se fizeram acompanhar dos seus umbigos nas campanhas da História. As épocas são marés de umbigos também eles entrelaçados, mas secretamente, formando um tecido de singularidades que vai mantendo, precisamente, a História que vamos sendo. O umbigo tem razões e é fácil detectá-las no jogo de palavras que muitas vezes se usa para expressar uma raiva ou uma paixão. Há homens que põem o sexo no umbigo das mulheres à espera de um milagre. Não se trata de santa ignorância, mas de esperança absurda. Aquilo é ponto central e ali ficam, às escondidas do tempo, à espera da multiplicação do ser, isto, claro, se o umbigo tiver um fundo mínimo que permita o depósito e a tal esperança. Há casos assim em que o homem acredita e a mulher aceita. Não havendo, depois, o regozijo por um ventre aumentado, de um novo umbigo a nascer, resta-lhes pensar que o umbigo possa ser isso mesmo e não outra coisa e confiar na voz da ciência - onde a Natureza esconde a ciência pode iluminar - que lhes dirá onde, em que recanto absorvente, poderão tentar a reprodução. O umbigo serve, pois, nalguns casos, para enganar, sobretudo quando é deprimido e não saliente. Muitas artes, muitos objectos de arte, vivem do amor ao umbigo. Não há nada a fazer. Há quem se enerve e se mascare de vigilante-reparador de uma certa arte degenerada, “o monstruoso fruto da insanidade”, dizia um chefe nazi, em 1937. Mas não quero, agora, seguir para trás, para a vergonha histórica. Adiante com o que pretendo dizer mais à frente. À semelhança de alguns corações, há umbigos que são canibais. Na sua expressão simbólica, claro, porque o que vai indo escrito por aqui tem tanta ingenuidade e querença no passatempo que isto é, que não faria sentido – antes seria uma tolice – pretender afirmar a existência de umbigos devoradores de outros, na exacta afirmação de umbigos comilões. Há, portanto, umbigos canibais e, habitualmente, dispostos a consagração. Na política, por exemplo – que é território fértil para canibalismos vários – assistimos com frequência à voragem de muitos umbigos. Os actos já não ocorrem apenas sazonalmente, em períodos eleitorais. É onda contínua. E nas paixões dos dias, o canibalismo umbiguista é tão parecido à mesma prática do coração, que muitas vezes não sabemos qual é o responsável. Damo-nos conta de que o outro, esse alguém diante de nós, já não tem com que se afirmar ou afirmar o seu amor, e nós, cheiinhos da sua presença amada, não sabemos por que fio invisível fomos capazes de o absorver, se pelo umbigo, se pelo coração. Há também a razão. Nota-se que paira por aqui ao modo do céu sobre a terra. Sem ela, não sei bem onde buscaria os vínculos de tudo isto, mas adiante, porque me atraso no que devo dizer. E o que digo é que há neste mundo criaturas sem umbigo. Não são os anjos. Esses são fáceis de admitir, mas têm estatuto que nos escapa e, atendendo à minha incompetência em Angelologia, qualquer evocação não andaria longe de alguma bazófia. Deixo, então, na reserva – para outras falas - esses contingentes de inumeráveis seres celestes, alados e não, e vou-me à moradia das criaturas sem umbigo que nesta hora decido relembrar e celebrar. Simplesmente isto: todos os habitantes dos lugares imaginários, todas as criaturas sem identidade nas praças da nossa vidinha costumeira, todos os activos da ficção, teatro, cinema ou literatura, as personagens... não têm umbigo. Emanações de uma vontade criadora, réplicas virtuais, as personagens – mesmo as que se deixam revelar pela graça dos comediantes ou no íntimo dos leitores – não trazem a cicatriz de um nascimento humano e original, de nada servindo procurar o núcleo germinador das suas formas, e, portanto, serão sempre semelhantes a deuses e heróis. Qualquer personagem, de Hamlet a um quase anónimo contemporâneo, não cumpre os regulamentos mortais da vida. As personagens assumem hierarquias de presença – com maior ou menor assiduidade no pensamento dos públicos – e algumas podem até ser confundidas com personalidades históricas. Tão acostumados estamos à sua permanência, que acredito que haja quem possa dizer que Édipo, no seu reinado tão nobre quanto infeliz, andou e cegou, de facto, por aqui. A condição dos-sem-umbigo traz o assunto das imortalidades. Já se sabe que as personagens sobrevivem aos autores e não se espera que um dia se cansem de não morrer, como aconteceu a Quíron, o bom centauro que acabou por receber a mortalidade de Prometeu. Convidados à mesa dos heróis, estarão sempre dispostos aos universos visíveis e invisíveis, prontos à companhia. Esta honra, da qual somos responsáveis, irá, pois, manter-se até que um festival galáctico altere a paisagem. Sabemos mais ou menos do futuro abandono do sol, e, mais tarde, da fritura cósmica. Nessa altura, tanto fará haver umbigo como não. Até lá, haverá ainda muito império. E novas personagens.

Abel Neves
Boticas, Setembro de 2007

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

22 e 23 Setembro 2007

CARTAZ[1].final
(isabel ribeiro)




OS DIAS DA CRIAÇÃO

nos dias 22 e 23 de Setembro 2007

na Casa da Eira Longa, em Vilar, Boticas (Trás-os-Montes).

Nesta iniciativa estará a presença diversificada de criadores leoneses e transmontanos, nas distintas áreas da criação: Audiovisual, Escrita, Performance, Música, Pintura, Fotografia, Pensamento, Gravura, Teatro, Grafismos, Artesanato, Escultura, Contacontos.
Apesar de se tratar de um encontro de âmbito regional não há qualquer segregação relativamente à presença de criadores que fisicamente tenham nascido noutras paragens. Assim, desde a Galiza ao Algarve, passando pela América Latina, este encontro é marcado pelo Aberto, pela infinitude do ómega.

programa:


22 Setembro, Sábado:

10h:00-Casa da Eira Longa: Performance de Teresa Paiva
10h,03m -Casa da Eira Longa: Pensamento e Debate
Comunicações:
abel neves, alexandre teixeira mendes, amadeu ferreira, antónio cabral, bento da cruz, gerardo queipo, silvia zayas
Distribuições e dinâmicas coloquiais: alberto augusto miranda, hermínio chaves fernandes.
12h 30m, Casa da Eira Longa: Performance Guantanano por Ad+Hoc: antonio rivas, begoña miguéns, carlos piñeiro, elisa framil, lois gil magariños, pedro lamas, ramón cruces

15h,30-Casa da Eira Longa: Inauguração de uma exposição colectiva de artistas visuais de león e de trás-os-montes.
Exponentes: adriana henriques, agostinho chaves, alfredo cabeleira; ana carneiro, ana luisa monteiro; ana sampaio, andré gomes, antero de alda, antónio pizarro; anxo pastor; asun parrilla, bruno ruivo, carla mota, carmen cierto, clara vale, daniel alonso, deborah nofret; dinis cortes; elisabete a. monteiro; elisabete pires monteiro; emanuel teixeira, francisco conceição, gerardo queipo; helder josé de carvalho, helena cordeiro, herminio chaves fernandes, inês abrantes, inma doval, isabel ribeiro; ivan almeida; joana caldelas, joaquim vieira, jorge cordeiro, jorge linhares, jorge marinho, josé fernando costa, josé moura, juan ondategui, julio costa, katús otero, linda ramos, lola oviedo, luis matos, manoel bonabal, maria sá, mário castro, mônica delicato, natalia gonzález devesa, nelson silva, pablo garcia garcia, paula garcez, paulo gaspar ferreira, pedro colaço, renato ferrão, rui gabriel, sabela arias, sacha habermann, sindo cerviño, Susana Llamazares, vânia ferreira, victor sousa

16h30:– Casa da Eira Longa: Curtas-metragens
Apresentação de obras de:
abel morán, adriana perez, angelica liddell, jesus dominguez, pedro sena nunes

18h00, Casa da Eira Longa: Actos Poéticos


Apresentação, por fernando martinho guimarães, do livro:

Tengo Algo De Arbol / Tenho Qualquer Coisa De Árvore
tengo-tenho
Selecta de poetas leoneses.
Poesia de: antonio gamoneda, gaspar moisés gómez, aldo z. sanz, tomás sánchez santiago, josé luís puerto, juan carlos mestre, ildefonso rodríguez, sílvia zayas, victor m. díez, eloísa otero, miguel suárez, ruben mielgo, jorge pascual.
Edição bilingue castelhano-português. Organização e selecção: sílvia zayas. Tradução: alberto augusto miranda. Ed. Intensidez.

Poesia dita por poetas: amilcar mendes, ana de sousa, antónio cabral, concha rousia, fernando soares, fracisco niebro, henrique dória, jorge pascual, juan carlos mestre, laura ortega, marcos calchadora, natalia fernandez, nuno rebocho, ruben mielgo, salviano ferreira, teresa cuco

21h30, Auditório de Boticas: Música, Performances, Teatro

Com: adérito silveira, alberto augusto miranda, alexandra bernardo, aurelino costa, chus fernandez león, david lópez fernández, dinis cortes, isabel fernandes pinto, josé angel, manuel guimarães, nelson moura, núria antón, rosabel muñiz, rosario granell, sílvia zayas, sirma, vicente pereira

23 Setembro 2007, Domingo:
10h -Casa da Eira Longa: MOSTRA DOS TRABALHOS AUDIOVISUAIS FEITOS IN LOCO:
Com: andré rodrigues, carlos marques, ivan terra, jaime mendes, joana lopes, joana magalhães, joão neiva, joaquim vieira, luis martins, michelle reis, nicole freitas, paulo pereira, pedro teixeira, raquel silva, rodrigo marcos, sandro sousa, sarah rego, tiago faifa, vânia ferreira, vitor leal
12h-Casa da Eira Longa: A Poesia Jovem latino-americana:
Com: estrella gomes (venezuela), raquel molina (venezuela)

Todo o acontecimento é Público
wstęp wolny / entrada livre / entrada lliure / fritt hänrycka / 自由な入口 / entrata libera / vrije ingang / الحرة مدخل / entrée libré / sarrera askea / free entrance / freier eingang / свободно вход / ελεύθερη είσοδος

informações:
+351.960238922 (eira longa)
+351.965817337 (incomunidade)

diasdacriacao@gmail.com

antonio gamoneda

arden las pérdidas


CONOZCO al pájaro
verdugo. Canta y las aves
acuden a sus blancas
uñas. Luego, las crucifica
en los espinos. Desgarra y
canta a causa del amor y
se alimenta de lo que
crucifica. Sueña con
pétalos sangrientos. No se
sabe si es pájaro que llora.

En otro tiempo,

yo vi el alma del caballo, su
dentadura en el rocío. Hay
un caballo dentro de mis
ojos y es el padre de los que
después aprendieron a llorar. Ahora

alguien pisa sobre mis
sueños. Recuerdo que las
serpientes pasaban
suavemente sobre mi corazón.

Escuchar la sangre.
¿Dónde? ¿En la fístula azul
o en las arterias ciegas? Allí
el hierro silba, o arde, quizá:
no somos más que miserable
hemoglobina. Allí los
huesos lloran y su música
se interpone entre los
cuerpos. Finalmente,
purificados por el frío, somos
reales en la desaparición.

Mierda y amor bajo la luz
terrestre. Yo abandono mis
venas a la fecundidad de las
semillas negras y mi
corazón a los insectos.

Mi corazón, esta caverna
húmeda que sin fin ni causa
inge la monotonía de la
sístole.

Antonio Gamoneda


CONHEÇO o pássaro
verdugo. Canta e as aves
acodem às suas brancas
unhas. Depois, crucifica-as
nos espinhos. Dilacera e
canta por causa do amor e
alimenta-se do que
crucifica. Sonha com
pétalas sangrentas. Não se sabe
se é pássaro que
chora.

Noutro tempo,
eu vi a alma do cavalo, a sua
dentadura no rocio. Há um
cavalo dentro dos meus
olhos e é o pai dos que
depois aprenderam a
chorar. Agora

alguém pisa sobre os meus
sonhos. Recordo que as
serpentes passavam
suavemente sobre o meu
coração.

Escutar o sangue.
Onde? Na fístula azul ou
nas artérias cegas? Ali o
ferro silva, ou arde, talvez:
somos apenas miserável
hemoglobina. Ali os
ossos choram e a sua música
interpõe-se entre os
corpos. Finalmente,
purificados pelo frio, somos
reais na desaparição.

Merda e amor sob a luz
terrestre. Abandono as
minhas veias à fecundidade
das sementes pretas e o meu
coração aos insectos.

O meu coração, esta caverna
húmida que sem fim nem
causa finge a monotonia da
sístole.


[trad: alberto augusto miranda]

Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

trio Sirma nos Dias da Criação

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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

na eira longa



Sábado, 8 de Setembro de 2007

# 9 fragmento


sou eu quem fecha a porta. uma chave. um adereço verde.
inspiro, o confronto do corpo nu com o raiar do crepúsculo, os olhos das sombras delineando aquele mais
sensível ângulo, os ombros – qual público ávido de reconhecimento.
ignoro-o se o desejo ali, permanente e suspenso.
viro as costas e as mãos, esvaziando as suas expectativas do centro das minhas pernas.
“nunca toques o que realmente não queres” – a voz sussurra (num terceiro plano, lá atrás)
respondo no mais firme saber – ler:
– Estou aqui oh! hedionda consciência. As tuas línguas nada sabem a respeito dos silêncios se aqueles de
que se alimentam são só intenções deles.
(um passo ao centro – um palco de húmus)
– Os verdadeiros não são comestíveis... – ainda mal grito.
– Comem-nos! – grito.
os braços rodeiam agora as circunstâncias, as mãos de dedos esticados rasgam o negro do cenário
enchendo-se de um alcatrão doce – as unhas iluminam o percurso e os olhares espectrais.
chegar a meio da sessão é um pecado.
“se chegas tarde nunca saberás...” – a voz (em terceiro plano, à direita) – “nunca saberás...” – um rir
(aglutinando e quase engolindo a língua)
conduzir até ao oriente mais próximo para pagar ao público o vazio da sua presença, com rebuçados.
Elisa, de rosto nos nós dos dedos, diria distraidamente – envenenados.
(um passo à direita – um cenário de húmus crescente, lodoso):
roço os mamilos na fragilidade das cortinas de alumínio traçado (pelas linhas das mãos do abandono) e
inicio o ritual do suicídio, pendurando o coração no negro repleto de pequenos anzóis de prata:
– senhores meus... retiro-me. – sorrio, de cabeça para baixo, o cabelo rasando o húmus.
– por favor, apaguem a luz quando saírem.
– de manhã estarei sangrada.
fecho os olhos.
as luzes partem no encalço da vida.
o último do público fecha a porta. uma chave.
(um adereço verde – a voz sussurra, num primeiro plano e junto ao meu ouvido – como a esperança...)
Ana de Sousa