luis n' Os Dias...
A ideia começou a germinar quando li a notícia no blogue Incomunidade.
Era demasiado aliciante. A cultura como pretexto para reencontrar os amigos. Desde logo, o Alberto Augusto Miranda, a “alma mater” do encontro, a par do Hermínio, garboso anfitrião na Casa da Eira.
O convívio começou nos Aliados, no Porto. Tive o prazer de conhecer pessoalmente o Paulo (da In Libris), o nosso condutor. Empatia muito rápida.
Primeira parte da viagem passada na conversa com Alexandre Teixeira Mendes, no banco de trás. O resto do “Bando dos Cinco” ia no banco da frente: Nuno Rebocho (por estas horas já em Cabo Verde), o ‘driver’ Paulo e Aurelino Costa.
A paragem na estação de serviço deu origem a uma alteração táctica. Alexandre Teixeira Mendes foi para o banco da frente, Aurelino Costa passou do primeiro banco para o terceiro banco. Fiquei só no segundo.
A seguir, o encantamento algo narcísico de ouvir o Aurelino a declamar os meus poemas do “De boas erecções está o Inferno cheio”. E a emoção de sentir a comunicação. Aprender mais sobre a nossa poesia, ouvindo outro a dizê-la. Saltitando entre a brejeirice obscena ou detendo-se nos poemas líricos.
Dormida em Boticas.
Sábado de manhã a chegada à Casa da Eira, para o encontro. O intercâmbio entre as línguas: português, castelhano, galego. Sem esquecer o Amadeu Ferreira e a expressão muito própria do mirandês.
Um prazer enorme ouvir a sua comunicação. Dar e receber livros. Amadeu reconheceu-me de um encontro da Guilherme Cossoul, em Lisboa. Fiquei a saber que o “Astérix, o gaulês” tinha esgotado na sessão de lançamento, na versão mirandesa.
Outro enorme prazer: ouvir o Amílcar a dizer Mário-Henrique Leiria e os seus “Contos do Gin Tónico”. Apresentou-me a um amigo, belo declamador: Fernando Soares.
Toma lá com mais uma dose de “Erecções”, já que há interesse nas ditas.
Tantos prazeres: as máscaras/esculturas do Gerardo, as fotos pelas paredes, no meio das árvores de fruto, os livros à solta, as palavras a amarinhar pelas montanhas transmontanas. Os dias luminosos, as noites frescas. Os cães a ladrar, muito ao longe.
No auditório de Boticas houve de tudo na noite de sábado, no campo artístico, aliando a música à palavra, à imagem e à performance. E um leonês de uma figa, agarrado à viola e à harmónica, num Woodstock transmontano, levando tudo atrás dele, como um furacão de boa disposição.
Domingo de manhã, já nas despedidas, a descoberta de uma curta-metragem maravilhosa, sobre uma espécie de borboleta em risco de extinção: a maculinha.
A descoberta do autor de um maravilhoso livro sobre as borboletas: Ernestino Maravalhas, protagonista principal do filme. A descoberta de um nome: Adenilo, a sua mulher. Que por sua vez descobriu um escritor: António Manuel Venda, ao ler o seu prefácio ao meu “A mulher que fazia recados às putas e mais contos perversos”.
luís graça

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